21
JUL

BlogosferaPor Wagner Fontoura(4) Comentários

xu.jpgNão há dúvida – essa chinesinha tem o poder! Você duvida?! Se seu blog recebesse 100 visitantes por segundo, como você se sentiria? Pois o dela recebe (clique na imagem para conhecê-lo – e para juntar-se a esta fantástica estatística). Escrito em mandarim ( 3º idioma mais escrito na blogosfera, atrás apenas – pasmem – do japonês [1º] e do inglês [2º] ), o blog da campeã de acessos do ranking internacional da Technorati não passa de um diário virtual (para decepção de muitos), onde a atriz e diretora chinêsa Xu Jinglei, 33 anos, fala sobre sua vida, seus sentimentos, sexo e narra histórias indiscretas, “mas apenas focando seu cotidiano e trabalho”.

Ainda segundo a mesma Technorati, já somos 35 Milhões de blogueiros ativos no mundo todo (isso levando-se em conta exclusivamente aqueles que têm seus blogs – atualmente 47 Milhões – sendo regularmente atualizados, visitados e linkados). Todos os dias 1.200.000 novos artigos são publicados, na média, por blogs ativos – 50.000 por hora. Todos números grandiloqüentes o suficiente para despertar a atenção do mercado para a nova indústria que se forma a passos largos em torno dessa “nova” e promissora mídia.

Digo nova entre áspas porque, na verdade, apesar da internet existir desde 1969, foi somente em 1999 que se tornou possível ao grande público produzir a baixo (ou nenhum) custo seus próprios artigos na rede mundial de computadores. E somente agora os blogs se popularizaram e surgiram como potenciais instrumentos de negócios.

No mundo todo – inclusive no Brasil, embora ainda timidamente – agências de publicidade vêm elegendo blogueiros para a implementação de campanhas de marketing viral, o que pode ser traduzido como o novo modo de se incentivar e realizar o bom , velho e famoso “boca-a-boca” no universo virtual. Mas virtual apenas no modo, não nos resultados – estes já palpáveis, sim senhor.

Curiosamente Google e Yahoo, que recebem juntas 5% de todo o tráfego mundial da web, abocanham juntas atualmente nada menos do que 45% de toda a receita gerada com publicidade no mundo, segundo o Pointer Institute – renomada escola de jornalismo da Flórida. Apesar de ser fácil perceber tamanha desigualdade na distribuição pela indústia em geral de suas verbas publicitárias, esta continua sendo a principal aposta dos blogs quando pensam em buscar o que chamamos de monetização das suas atividades – a partir do que muitos blogueiros passam a se auto-denominar “probloggers”, ou blogueiros profissionais…

Faturar bem com publicidade através das atividades de um blog é quase tão provável quanto ganhar sozinho um prêmio da loteria. É preciso uma conspiração de fatores de difícil composição, o que, no geral, não é levado em conta pelos milhares de pretendentes “à doce e glamurosa” vida de um problogger de primeira linha – rs.

Recentemente publiquei aqui um dos já diversos artigos nos quais venho falando não da profissão de problogger (porque não tenho expertise ainda para tanto), mas das oportunidades profissionais e de empreendedorismo (e disso eu suponho pretensiosamente entender) que o advento da blogosfera pode nos trazer (e já está trazendo).

Um universo que cresce a médias de 90, 100% ao ano, como acontece com a blogosfera brasileira (fonte: MSN Spaces) é altamente inspirador da imaginação e dos anseios de qualquer empreendedor, de muitos administradores de empresas, de todos os melhores investidores de qualquer mercado! Não é pra menos. E não me venham falar de bolhas ou de especulações – é de oportunidades de fato que estamos falando aqui.

A blogosfera brasileira está longe de perceber plenamente o que se passa em torno de si nesse sentido, mas começa a destacar alguns dos seus players em função dos seus sucessos pesoais já eminentes – o que comprova, pelo menos, que o caminho é real e que já há pessoas em marcha nessa caminhada de estabelecer um novo e vigoroso mercado para esse igualmente vigoroso veículo – o blog.

Basta olhar um pouquinho só adiante e verificar o modus operandi de alguns dos nossos próprios pares na blogosfera brasileira (e não vou ficar aqui citando mais ninguém nominalmente porque meus pares são muito ciumentos e /ou vaidosos – rs) ou, se preferir e sua visão alcançar, olhar o comportamento daqueles que “jogam” em mercados mais maduros do que o nosso – o japonês, o chinês e o americano, pra citar somente as 3 referências já mencionadas aqui. Não estamos muito atrás destes – aliás, somos referência mundial em muitos dos assuntos correlatos à profissionalização dos blogs.

As redes de relacionamento social (uma das áreas em que, como usuários, nos destacamos mundialmente), por exemplo, têm um papel fundamental no impulsionamento dos blogs como veículos de negócios. No Brasil ainda não é o que acontece; primeiro porque nossas redes nacionais são ainda tímidas e inexpressivas (via de regra, pra aliviar…) quando o assunto é monetização. Lá fora temos exemplos concretos de como a associação explícita e direta entre redes – como a 9Rules, por exemplo – e blogs de conteúdo consistente e crível fazem com que ambos os parceiros se projetem, se promovam, gerem tráfego e, conseqüentemente, gerem oportunidades inúmeras e diversas de negócios.

Recentemente o Guilherme Nascimento (Papo de Homem) me enviou uma cópia de um e-mail seu recebido, onde seu interlocutor relata práticas de blogs que se associam em redes lá fora para gerar tráfego; associam-se entre si e às redes sociais e o fazem de forma profissional -têm inclusive contratos de negócios pelo que apurei – para promoverem seus conteúdos e gerarem links que os tornem visíveis e acessíveis. Fico pasmo quando ainda leio em blogs respeitados na nossa blogosfera que atividades que tenham o propósito declarado de gerar links (acessos) entre os blogs são algo do mesmo grupo de doenças ruins ou práticas criminosas que devem ser banidas do universo pelos Guerreiros da Verdade Blogger!

Aqui, quando blogueiros veiculam seus conteúdos em redes sociais, então, acontecem duas coisas:

  1. São taxados de fazer auto-promoção, como se promover o fruto dos seus esforços fosse uma doença altamente contagiosa, uma vergonha, praticamente um crime;
  2. Não há nenhuma ação conjunta da própria rede para identificar e promover seus supostos parceiros, geradores do seu próprio tráfego.

Ave, Maria! Como pensamos e agimos pequeno! Fomos educados para ser pobres, para unirmo-nos aos pobres, para promovemos a pobreza – “porque senão não haverá lugar para nós no céu”. Sem falar que no inferno, talvez nos encontremos com o Cardoso, né – que, por sinal (e por abrir mão da sua quota de terreno nesse céu dos burros), deve ir muito bem, obrigado, no seu caminho problogger de verdade.

Grande abraço!

Wagner Fontoura

Leia ainda:

  • Twitter
  • Windows Live Favorites
  • Google Reader
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • FriendFeed
  • Delicious
  • Technorati Favorites
  • Plurk
  • Windows Live Spaces
  • Share/Bookmark
  • Wagner, vou abrir os comentários….

    Perfeito este seu texto. Isso prova que vc faz parte do time titular da Blogosfera.

    O mais incrível de todo este seu raciocínio é a oportunidade que todos temos de construir passo-a-passo a nossa blogosfera.

    Como em qualquer segmento, tem os bons e os ruins. E os bons, quando atuam com responsabilidade e profissionalismo, acabam se destacando. E isso vai acontecer aqui.

    E mais, vamos superar esta tendência de “promover a pobreza”. Para se conquistar o reino dos céus, uma alusão ao paraíso do blog bem feito e bem visitado, não podemos ser pobres de espírito e mesquinhos, mas ricos de criatividade e solidariedade.

    E viva a inteligência colaborativa!

    Um grande abraço

    Ricardo Cabianca
    Estou Blogado! http://www.cabianca.net

    julho 21, 2007 às 18:44 Responder
  • dkono

    Muito bom o post Wagner ! Também não entendo porque se condena algumas formas de divulgação. Qual é o problema ? Medo de concorrência ? Acredito que o bom conteúdo prevaleça sempre.

    Mas, por outro lado, acho que isso deixa um espaço pra pessoas que queiram de fato inovar e profissionalizar a utilização dos blogs.

    Um abraço,

    Daniel

    julho 21, 2007 às 18:59 Responder
  • Oi Wagner!

    Que potencial a Xu Jinglei tem nas mãos, hein?!?

    julho 21, 2007 às 20:40 Responder
  • Ricardo, eu noto nitidamente que estamos sim construindo um mercado novo, liderados por um grupo que já vem abrindo esse caminho há algum tempo.

    Daniel, aos poucos vamos criando uma cultura que, se pra nós é nova, lá fora já mostrou que funciona. Obrigado pela visita e pelo comentário. Seja sempre bem-vindo.

    Enoch, parceiro: a Xu e mesmo nós, que estamos bem no início dessa brincadeira. Temos uma perspectiva que a mim parece fantástica.

    Grande abraço!

    julho 22, 2007 às 10:48 Responder