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JUL

Twitter vs. TechCrunch

EditorialPor Wagner Fontoura(5) Comentários

Twitter vs Techcrunch

Sempre que um embate judicial se dá envolvendo empresas que, como o Twitter, se estabelecem sobre terrenos pouco ou nada explorados pela legislação isso acaba corroborando objetivamente para a (re)definição de fronteiras. Foi assim, por exemplo, no notório processo judicial movido nos EUA pela poderosa Geico contra a jovem Google e julgado em dezembro de 2004, no qual, ao dar ganho de causa para a empresa de buscas, a juíza Leonie M. Brinkema acabou lastreando uma inovadora política de anúncios que culminou com uma verdadeira revolução no mercado publicitário (e noutros).

Na semana passada diversas publicações online brasileiras deram conta do que, a olhos incautos, poderia parecer apenas um imbróglio no qual se meteu um dos mais importantes blogs americanos de tecnologia – o TechCrunch – ao publicar informações confidenciais da nova estrela da Internet – o Twitter (leia aqui o referido post, em inglês: Twitter’s Internal Strategy Laid Bare: To Be “The Pulse Of The Planet” ).

Fruto de roubo por “um hacker anônimo” de documentos e registros internos diversos da empresa dona do maior microblogger do mundo (eram mais de 37 milhões de usuários em maio desse ano), o material em questão foi encaminhado para o blog e publicado por ele na sequência,  sem qualquer autorização por parte de ninguém do Twitter – pelo menos segundo a própria empresa. Para saber mais sobre tudo o que foi divulgado pelo blog com base nas informações a que teve acesso sugiro a leitura do ótimo post publicado pelo repórter Rafael Barifouse no blog Tecneira, da Época Negócios – aqui: Esquenta a briga entre Twitter e o blog TechCrunch.

Sem nada a acrescentar que já não tenha sido explorado pelo Rafael no seu referido post, o que me chama a atenção é a possibilidade eminente do TechCrunch abrigar-se sob a alegação de privilégio jornalístico, o que garante o direito de não revelar as suas fontes, caso o Twitter leve a cabo a ameaça de processar juridicamente o blog. Considerando o fato de que declaradamente as informações publicadas tiveram origem num fato condenável sob qualquer ótica e que a sua publicação pode (e certamente irá) provocar danos da mais larga escala nos rumos da empresa de San Francisco, essa briga promete e tem tudo para ser um delineador de novas fronteiras até onde poderão ir os blogs como veículos noticiosos lá e, por tabela, em todo o mundo.

Fiquemos de olho.

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  • A coisa pegou fogo, pela quantidade de informações acessadas o Twitter tende a não deixar barato.

    Foi um gole seco, mas repudio a atitude deles.

    julho 23, 2009 às 20:55 Responder
  • [...] pode parecer que não mas o resultado dessa “pendenga” deve influenciar consideravelmente a visão que a Justiça tem da internet atualmente.

    Aparentemente as informações roubadas não eram tão relevantes, tanto que pelo que li nenhum processo foi movido ainda por parte do Twitter.

    Fiquemos de olho!

    julho 24, 2009 às 15:08 Responder
  • Captei a sua mensagem. Você quis ir além do cenário óbvio da mera briga entre cachorros grandes. O que está por trás disto? E a responsabilização, ou não pelo conteúdo editorial dos blogs. A Web 2.0 é muito recente para os seus crimes terem jurisprudência nos processos penais dos países. Todavia, é isto que está em jogo, o blogueiro pode impunemente obter e publicar informações ilegalmente? Se o TechCrunch tiver ganho de causa, será equivalente a legalizar o Hack, ou seja, os blogueiros estarão acima da lei. Mais do que uma questiúncula entre empresas, o que está sendo discutido são os nossos limites à liberdade de expressão, que todos queremos infinita.

    julho 24, 2009 às 22:15 Responder