Procura-se um antídoto para a idiocracia na web – seja na produção de conteúdo ou na publicidade

Por Wagner Fontoura

Editorial

gay-talese

“.. (blogueiros) são como uma torcida num jogo de futebol que fica o tempo todo gritando para os jogadores, para o juiz. É gente que não apura nada, só faz barulho.”

É assim que o escritor e jornalista americano Gay Talese, que virá ao Brasil lançar seu último livro na FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty -  se refere à nova geração de produtores de conteúdo na web e ao que chama de “os males da tecnologia”.

Em entrevista concedia à Veja dessa semana (ed. 2117, pág. 86) Talese, considerado por muitos “uma lenda viva” e um dos mais renomados criadores do chamado “novo jornalismo”, não poupa críticas nem usa meias palavras para se referir aos aspectos negativos da forma como as pessoas da geração pós-Google têm se instruído.

“Elas têm uma pergunta na cabeça, vão ao Google, pedem a resposta e pronto. Consideram-se informadas sobre o que queriam, mas é um modo linear de pensar e ser informado… se informam de modo muito objetivo, no mau sentido.”

Se você não conhece Gay Talese, não se iluda confundindo-o com “mais um jornalista da velha guarda a espernear pelo espaço perdido para as novas mídias”.  Talese defende a tese de que sequer o jornalismo está em crise, mas os jornais é que estão (com o que me permito discordar). Critica duramente as posturas dos jornalistas e dos principais jornais americanos de ancorarem-se aos pés dos governos (do poder) e de não terem mais o ceticismo e o distanciamento tão necessários à profissão de jornalista – o que colabora largamente para que percam cada dia mais credibilidade (e público e dinheiro, claro).

Tenho olhado muito, sim, para os discursos de figuras respeitáveis como Talese e mesmo Andrew Keen, sobre quem fiz menção por aqui recentemente, pois tenho sido acometido de um incômodo crescente (e angustiante) com a igualmente (e exponencialmente) crescente produção de lixo na internet e na aparente construção de uma “idiocracia” (com o perdão do neologismo) dominante em nosso meio.

Tenho muitos motivos pra me preocupar: sou pai de adolescentes, blogueiro, profissional da internet e enxergo – pois só os tolos ou aqueles que não querem ver por interesse próprio não aceitam que por inúmeros que sejam os benefícios dos novos horizontes que se abrem à nossa frente com o advento das “novas” ferramentas e formatos de comunicação (seja de conteúdo ou de publicidade), “estamos com um pé em cada barco, e comicamente eles começam a se afastar“.

Não fecho com Talese, nem com Keen completamente. Entre um discurso e outro eu fico com o do Cardoso. Ainda incomodado. Rebento.

Talese estará no Brasil em julho próximo e Keen, provavelmente, em setembro.

4 Comentários para “Procura-se um antídoto para a idiocracia na web – seja na produção de conteúdo ou na publicidade”

  1. Thiago disse:

    Excelente!

    Concordo com tudo e comprarei a Veja só para ler essa entrevista.

  2. agulha3al disse:

    Como você ainda não fecho com nenhum dos lados … mais considero sim que o nível de idiotice na web vem crescendo absurdamente!!!

  3. Fred disse:

    Gostaria de saber como vai o nossavia e se o blog vai voltar.
    abraço,

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