Por Samantha Shiraishi
Mesmo no ambiente produtivo no qual estou inserida o uso do orkut no trabalho ainda é motivo de controvérsias. Usá-lo como instrumento de trabalho então, é coisa para visionários. Por conta disto, escrevo aqui ciente de que este post vai ser motivo de piadas para alguns, total indiferença para outros e motivará comentários e leitura para poucos.
Acredito que estes poucos são os que entendem o movimento que acontece no Brasil e que está sendo batizado de mídia social.
Há quem fale da nova mídia como uma exclusividade dos blogs, mas sua força está mesmo nas redes sociais. O movimento é mais amplo e nele o brasileiro mostra sua força de comunicação, de opinião, de reação. Costumamos achar que brasileiro não reage politicamente. É verdade, o século XX teve tantos episódios de massacre da nossa jovem democracia que fomos inexoravelmente forçados a ser o tal Homem Cordial do Sérgio Buarque de Hollanda. Mas no século XXI, o brasileiro comum descobriu que pode reclamar fazendo parte de associações inusitadas e aparentemente sem compromisso e se posiciona fazendo parte da comunidade “Eu amo aquilo”, “Eu odeio fulano”, “Eu tenho o carro X”. Estes espaços democráticos estão concentrados num lugar: o orkut.
Notem o mapa acima. Ele faz parte de um levantamento da Pingdom, uma companhia sueca que monitora a performance de sites. Ontem eles divulgaram um estudo no post Social network popularity around the world (Popularidade das redes sociais pelo mundo, texto em inglês, comentado em português por alguns blogueiros, como os sorveteiros do IceCreamNow) no qual podemos ver que o Brasil aparece como usuário de várias redes sociais e campeão do uso de orkut. Novidade não é, claro, quem não viu que o Google passou para o escritório brasileiro a responsabilidade do orkut? A questão aqui é a relevância desta rede social para os negócios.
Minha experiência com orkut é longa e variada, mas acima de tudo produtiva em termos profissionais. Passada aquela fase de “encontrar a galera” (amigos, colegas e parentes perdidos pelo mundo), descobri na rede social um espaço para encontrar pessoas com afinidades profissionais e pessoais. Criei comunidades, fui muito ativa em outras que me renderam convites para ser mediadora (quando esta função surgiu) e fiz vários contatos profissionais, que renderam trabalho, fontes de reportagem ou no mínimo prestígio. Participei de projetos de cineastas, ONGs, mestrandos e doutorandos, fui fonte de reportagens de colegas, recebi convites de frilas e descobri novos amigos que se tornaram velhos parceiros, mesmo só virtualmente. Acredito que foi assim porque sempre usei o orkut como uma rede social, não como um trampolim para outras coisas. Lá podia ser sincera, franca, espontânea, natural – e, por consequência, verdadeira.
Estas características dos usuários começam a ser usadas a favor das empresas. Quer dizer, pelos visionários que citei no começo do texto e que estimulam as empresas a criarem oportunidades e espaços de comunicação com seus consumidores através das redes sociais. Em sua participação no Café.com Blog Carol Terra, da equipe de comunicação do Mercado Livre e autora do livro Blogs Corporativos: Modismo ou Tendência?, exortou os presentes a investirem no profissional que fará a interface da empresa com as mídias sociais. Admiro Carol desde a entrevista que fiz com ela no lançamento do livro e foi gratificante ouvir alguém propor algo assim para uma platéia de pequenos e médios empresários interessados em criar um novo canal com seus clientes.
Acredito que este espaço ainda é inexplorado tanto por profissionais quanto por empresários, mas está começando a ser descoberto e levado a sério. Breve, quem deixar de ver o orkut apenas como hobby ou um espaço para o funcionário matar o tempo de trabalho, poderá sair lucrando com a experiência, ganhando novos clientes, descobrindo parcerias lucrativas e de baixo custo e gerenciando (evitando) crises.
Há alguns dias, Wagner deixou aqui uma provocação para contarmos o uso que fazemos do orkut, que acabou motivando meu post. Os comentários, que concorrem a convites para o Seminário Info – Redes Sociais, foram muito construtivos e apontavam para esta profissionalização do orkut. Ela deve ser feita com uma ética verdadeira (não a falsa ética, a que tenta fazer uma ação em rede social ser natural quando no fundo foi arquitetada. O novo brasileiro, este que não é mais só um homem cordial, sente a diferença e não tem escrúpulos ao separar o joio do trigo, criando e destruindo reputações com rapidez estonteante. E exatamente por isso ele pode ser um grande aliado para sua empresa. ![]()
P.S. Lembrei de uma historinha corporativa com orkut. Em 2006 fui contratada por uma empresa de RH para cuidar da imagem deles na internet e criar um projeto para o site (que virou blog com janela do meebo para interação). No começo do trabalho, notei que a pauleira seria limpar o nome deles no orkut e foruns espalhados pela rede. Eles estão num segmento diferente, intermediando a contratação de dekasseguis brasileiros por indústrias japonesas, e o contato deste grupo é feito internet, especialmente orkut e msn. Nestas redes sociais se diz o que vale a pena, onde ir ou não, quanto é justo ganhar. Por conta disto, é onde os concorrentes criavam fakes e enchiam os fóruns das comunidades de críticas. Fiz um trabalho de formiguinha: tratei caso a caso, em dezenas de comunidades, oferecendo-me para verificar na empresa qual a situação e tentar corrigir o que poderia ter acontecido. Consegui resolver todos e, surpresa, só um era efetivamente vítima. Este caso tratamos com tamanho cuidado que hoje o rapaz é um parceiro de trabalho e uma das melhores propagandas que temos na web.


[...] mesmo tempo, a Samantha Shirashi publicou um texto com o título “Orkut é para se trabalhar?”, onde apresenta alguns casos de resultados reais sobre sua experiência profissional usando o [...]
[...] Mesmo no ambiente produtivo no qual estou inserida o uso do orkut no trabalho ainda é motivo de con… [...]

Oi Samantha, muito bom o texto. Costumo usar o Orkut pra conhecer um pouco mais do perfil de algum cliente ou alguém que marquei uma reunião e ainda não conheço, vou te contar que ajuda bastante viu. Saber os habitos, time que torce, essas coisas. São pequenos detalhes que acabam fazendo a diferença. Imagina eu convidando um vegetariano hard core pra um churrasco por exemplo?
agosto 14, 2008 às 09:37Excelente texto. Eu nunca pensei em orkut, como foi descrito no texto. Talvez a imagem que eu sempre tenha feito dele, foi a do senso comum: lugar pra gente desocupado! Mas percebo que existe uma gama de possibilidades inexploradas nessa rede de relacionamentos.
agosto 14, 2008 às 11:15Eu uso o Orkut para divulgar meus escritos…espalhar coisas boas é o que eu digo…Tenho alguns contatos profissionais, mas te digo que meus trabalhos não surgem de lá.
agosto 14, 2008 às 11:22Quase todos os amigos que tenho lá me adicionaram por gostarem do que eu escrevo. Para mim foi um impulso para escrever mais.
Ultimamente tenho recebido muito convite de “pessoas” que são empresas querendo vender produtos e tal…Nem sempre os aceito, quase sempre digo não.
Não sei se estou sendo boba, mas não me iludo quanto a “vender” produtos e ganhar dinheiro com isso.
Creio que o Orkut para mim, é uma forma a mais de eu obter mais leitores…e conhecer pessoas…tenho bons amigos virtuais.
Como todo lugar, virtual ou não, tem pessoas boas e pessoas más…Se você se mantém integro à sua personalidade original, você não tem o que temer…Autenticidade deve ser a regra número 1, embora alguns ainda tentem fingir ser o que não é ou trabalhar para bobagens ou coisas ruins…É possível viver a parte da “sujeira” e “viver bem” como seria em qualquer lugar…
Como tu, Sam, fiz sempre trabalho de formiguinha comigo mesmo e conquistei bons resultados na forma como direciono meus relacionamentos na WEB, tanto no Orkut, site e blogs.
Beijos,Aline
Oi Sam,
Acho que as barreiras do pré-conceito sobre redes sociais está caindo. Até a Globo já usa o Orkut para embasar suas matérias. Já vi isso no Jornal Nacional e até no Fantástico.
agosto 14, 2008 às 11:23Uma vez numa rede social, sempre procuro torná-la o mais útil possível para mim. O Orkut, por exemplo, me possibilitou conhecer diversos profissionais que literalmente me ensinaram muito sobre a atual profissão em que atuo. As comunidades são filtros, diversas vezes, mais úteis do que lançar uma dúvida na imensidão do Google – quando desejo procurar um assunto específico, primeiro lanço mão do Orkut e das diversas discussões que surgem entre os grupos. O Orkut é uma ferramente riquíssima que, quando usada corretamente, rende bons frutos na área da vida que se deseja que ela funcione. Se o Orkut é prejudicial pras empresas porque lhes rouba a atenção dos funcionários? Mas qualquer coisa, objeto, pessoa pode ser prejudicial – havendo um funcionário não comprometido e que não saiba utilizar os recursos de forma positiva, até um simples telefone pode fazer uma empresa perder produtividade.
agosto 14, 2008 às 11:35Meu trabalho envolve Orkut diretamente – afinal, trabalho com mídia social.
E acho que hoje as empresas sempre dão aquela “fuçadinha” no perfil dos potenciais candidatos, com tudo que pode advir de bom e ruim nisso.
Mas esse teu trabalho de formiguinha foi uma espécie de SAC 2.0, não? tem algumas empresas fazendo isso no Orkut, como a CCE e a Natura.
agosto 14, 2008 às 11:39Ótimo o seu post, Sam! Me identifiquei com você em diversos pontos, inclusive por ter feito um caminho bem parecido no Orkut. Apesar de escutar muita gente reclamar, especialmente blogueiros, dessa rede porque “ela se popularizou totalmente no Brasil”, a opção de aceitar e ter contato com outros tipos de usuários é totalmente sua.
Eu tenho comunidades por lá, mantenho contatos com os amigos e, claro, é fundamental para o meu trabalho. Se você sabe procurar, acha comunidades bem pertinentes, movimentadas e com ótimas informações. Uma vez, encontrei um verdadeiro guia de viagem para a Europa e me surpreendi com a disposição de todos em ajudarem quem deseja viajar para outro país. É uma incrível ferramenta de colaboração, é só saber usar.
Beijos
agosto 14, 2008 às 11:48O ínicio é sempre bagunçado encontrar os amigos e colocar as fofocas em dia. Foi assim que me inseri no orkut. Hoje, além de encontrar amigos distantes e fazer novos amigos, orkut para mim é uma ferramenta de pesquisa e informações. Como Kako Ferreira comentou, é muito mais fácil chegar em uma pessoa sabendo alguns hábitos e gostos. Já tentei estabelecer contatos profissionais, mas minha carreira de blogueira ainda está o início e tenho muito que aprender com você, principalmente! Assino embaixo do seu texto, muito mais que diversão, orkut é comunicação.
agosto 14, 2008 às 11:52Eu acho que sabendo usar conscientemente o orkut dá pra ser bastante produtivo.
agosto 14, 2008 às 12:45Orkut hj em dia funciona pra muita coisa mesmo! Até pesquisar sobre algum produto… Eu mesmo um dia fui atrás de saber opiniões sobre um produto que eu queria comprar… Seria um belo de um feedback para o fabricante.
mto bom texto, o orkut cada vez está se aproximando do que é o facebook, onde tem vários aplicativos. Ontem eu vi um aplicativo do http://www.quebarato.com.br, tem mto potencial fazer aplicativos lá.
http://www.boovox.com.br
agosto 14, 2008 às 15:15Boovox – Agência de comunicação online
Sam, primeiro a parabenizo pelo excelente post! Vou replicá-lo em meu blog. E também agradeço a menção à minha palestra. Acredito piamente nas redes sociais e no trabalho planejado de comunicação das organizações sobre elas. Um grande beijo, Carol Terra (http://rpalavreando.blogspot.com)
agosto 15, 2008 às 11:24Oi Sam, concordo com vc em tudo. Mas fiquei curioso com o “trabalho de formiguinha” do PS. As mídias sociais são mto voláteis, e mesmo o trabalho de formiguinha sofre com a “sensibilidade” dos indivíduos das redes. Escreve um post de cases um dia desses, pls!!!!!
Gde abs!
agosto 15, 2008 às 15:22oi td ebm?
sera q vc poderia me ajudar?
abril 16, 2009 às 15:15