Jeff Kinney, autor do ótimo Diary of a Wimpy Kid, uma espécie de romance em quadrinhos, no Brasil publicado pela Vergara & Riba com o título Diário de um banana, foi recentemente listado entre As 100 pessoas mais Influentes do mundo em 2009 pela Revista Time, pela façanha de emplacar por mais de 1 ano uma obra dessa natureza entre os best-sellers do New York Times. Com mais de 5 milhões de exemplares vendidos, traduzido para mais de 20 idiomas, Diary of a Wimpy Kid teve ainda seus direitos autorais comprados pela 20th Century Fox para reproduzí-la nas telonas. Os primeiros episódios do Diário foram publicados, originalmente, no site Funbrain, mantido por Kinney. O Diário foi também nomeado para o prêmio Nickelodeon Kids Choice Award.
Meu exemplar do primeiro título da série publicado no Brasil (já há 4 outros publicados na sua língua original) foi ganho por mim, ontem, como presente de aniversário, do amigo querido Juliano Spyer. Enquanto eu e Juliano conversávamos no V. Café da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, onde nos encontramos, o Helton Kuhnen, que estava também conosco, leu metade do livro, com um interesse que eu nunca imaginei ver em si – dado que meu amigo “HiTech” não é dado a leitura de livros nem de nada impresso. Eu, em fase “devorando tudo o que encontro para ler pela frente” o li inteiro, de uma sentada só, na mesma noite de ontem. Uma pérola! Há muito que não ria tanto e tão fácil.
Não sou fá de comédia e me tornei impermeável ao humor raso, ácido e “irreverente” que se vê atualmente, seja na tv, no cinema, no teatro (e me refiro sobretudo às quase sempre pobres stand up commedies) ou na internet. Blogs de humor, então… nem se fala. Muita gente boba, vazia, inculta e, o que é muito pior, de caráter (no mínimo) duvidoso, produzindo coisas bobagentas, mal escritas, de uma prepotência míope e arrogante, para uma crescente massa de incautos que se deixam vitimar pela influência de pretensos formadores de opinião da boca do lixo criada pela web 2.0. Meu desgosto pelo gênero da comédia contemporânea serviu de contraponto à leitura de Diário de um banana.
Greg Heffley, personagem principal e quem escreve o Diário, obviamente em 1a pessoa, é um adolescente comum, repleto de angústias, desejos e atitudes nem sempre politicamente corretas (e que adolescente é politicamente correto?). Vive e descreve seus dilemas cotidianos para se dar bem na escola, em casa e com as meninas, de uma forma meio lúdica, meio tosca, mas muito, MUITO engraçada.
Mesclando textos em fontes cursivas sobrepostas a linhas como as de um caderno e desenhos ilustrativos que ora complementam os textos, ora apenas os ilustram, o Diário de um banana é inovador no fraco contexto da comédia contemporânea e poderia perfeitamente ser publicado em formato impresso, como foi, ser um blog, virar um filme, ser encenado no teatro, e, de qualquer modo, seria divertido e instrutivo, sem ser tolo nem chato. Poderia ser lido / assistido por crianças, por jovens, por pais, por educadores, por adultos quaisquer, e a todos atingir em cheio, facilmente, deliciosamente.
Diário de um banana é inovador, ainda, pela sua diagramação e por fugir do padrão convencional da literatura e dos quadrinhos. Leitura leve, divertida, instigante, altamente recomendável, seja você um adolescente, como o personagem do livro, ou pai, ou educador, ou apenas amante da boa literatura. Ah, mas se for blogueiro de humor ou daqueles metidos a polêmicos, irreverentes e engraçadinhos, a leitura é mais que recomendável – deveria ser obrigatória.
Desde que vimos este livro – e sua divulgação – na Bienal do Livro do ano passado eu penso em comprar para o Enzo. Que me diz, já é adequado para a idade dele?
Acho que é apropriado sim, Sam.
por que vc ñ poem a moral