16
MAR

Cyberbullying Corporativo – uma nova modalidade de tiro no pé

EditorialPor Wagner Fontoura(7) Comentários

cyberbullying

Há uma corrente muito alarmante em nossa cultura voltada para o sarcasmo, a hostilidade e a grosseria. Obviamente, pessoas conseguem desenvolver seus blogs do jeito que elas querem. Mas da minha perspectiva, se eu escrevo sobre uma maneira particular de fazer algo e alguém discorda, eu responderia de preferência que “Ah, eu não concordo” ao invés de “Você é um idiota”. Dave Taylor, The intuitive life business blog

A Wikipedia define bullying como atos premeditados e repetidos de violência física ou psicológica, praticados para intimidar ou agredir alguém. No cyberbullying recorre-se à tecnologia para ameaçar, humilhar ou intimidar alguém através da multiplicidade de ferramentas da nova era digital, tais como redes sociais da Internet (blogs, microblogs, compartilhadores de notícias, listas de discussões, etc), sites de partilha de fotos, vídeos, gravações MP3, objetivando minar a reputação e a paz alheia.

No Brasil (e, pelo jeito da declaração de Dave Taylor acima mencionada, transcrita do ótimo livro Blogging Heroes, também na gringa) observo que cresce, dia após dia, uma prática que mascara de guerrilha o que, a meu ver, não passa de terrorismo raso; sob a égide da irreverência vem se praticando é cyberbullying mesmo. Cyberbullying corporativo!

Fogo amigo – amigo da onça.

Por incrível que pareça – acredite – existem empresas se especializando nessa nova modalidade “guerrilheira”. Blogueiros que se projetaram no cenário da blogosfera brazuca pelo tom ácido, polêmico, “irreverente”, hoje, isoladamente, são coisas do nosso passado recente, já praticamente peças de museu, relegados à irrelevância e ao descrédito, já que absolutamente tudo o que tocam, tudo o que passa pelas suas alças de mira, vira galhofa, chacota, vítima da nova liberdade de expressão que a web 2.0 preconiza. Hoje deram lugar a “especialistas” ligados a empresas que fazem a mesma coisa, mas em escala profissional. Sacou? Unidos venceremos. Unidos e organizados em pessoas jurídicas, em redes, ou, pelo menos, agrupados em feudos.

Tentar destruir reputações de marcas que se posicionam de forma incipiente, frágil, tímida, muitas vezes equivocada frente às novas mídias sociais virou esporte coletivo. Vejo grupos que, em tese, se propõem a ensinar outras empresas a se posicionarem frente às novas vias de comunicação interativa incentivando, quando não promovendo o que chamo qualifico de cyberbullying corporativo, promovendo em novos e potenciais anunciantes na web todos os traumas e fobias típicos dessa prática que deveria ser odiosa mas, ao contrário, encontra platéias ávidas por sangue. E viva a galhofa; e tome tiro no pé. Fogo amigo – amigo da onça.

O mercado de publicidade em mídias sociais já é tão novo, tão cheio de respostas ainda não encontradas, de verdades ainda em fase de construção, de obstáculos e barreiras a serem vencidos! Ainda temos que conviver com esse tipo de comportamento (auto)destrutivo.

É curioso (e óbvio) assistir à preocupação “dos donos da rede” com a invasão de “mídias para gente grande” como os blogs ou o Twitter pela miguxada do orkut – rs. Como se as mídias sociais fossem feudos shiitas. A resposta é simples: Não.


  • Twitter
  • Windows Live Favorites
  • Google Reader
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • FriendFeed
  • Delicious
  • Technorati Favorites
  • Plurk
  • Windows Live Spaces
  • Share/Bookmark
  • Ótimo texto. Tem um blog aqui no Brasil que está na lista dos mais acessados, e ele se enquadra perfeitamente na descrição:

    “..Blogueiros que se projetaram no cenário da blogosfera brazuca pelo tom ácido, polêmico… ”

    Tido como muitos como formador de opinião. Esse tem o poder de construir ou destruir (ou manchar) uma marca com poucas palavras.

    Abraços,
    Monthiel

    março 16, 2009 às 10:55 Responder
  • “Mas da minha perspectiva, se eu escrevo sobre uma maneira particular de fazer algo e alguém discorda, eu responderia de preferência que ‘Ah, eu não concordo’ ao invés de ‘Você é um idiota’.”
    Concordo.

    Se vc tem sempre que agredir gratuitamente em posts ou comentários (seja como blogueiro ou como leitor), vc precisa de terapia e não de um blog.

    março 16, 2009 às 13:30 Responder
    • Terapia seria um bom caminho pra turma do “deixa que eu chuto” mesmo, Pati.
      Beijo!

      março 16, 2009 às 16:09 Responder
  • É o mundo real sendo transportado para o virtual. Fato!

    março 16, 2009 às 14:17 Responder
  • aXXEDiAh UxXx otRuxXx eH teRrIveu!!!!! rEfLETI 1 ALMaH pEKenAh ou 1 PEXXoaH KI NaUM fOI AMaDaH I AinDAH NaUM aprenDEu A AMah……

    tOdu MuNDU koNdeNAh U AXXeDIU…MaxXx nAUm PEnSam 2xXx anTIxXx DI FalAh MaU di QM EH MIGUxXxU!!!!!

    AMei seU aRtIgu!!!!!

    Tradução:
    Assediar os outros é terrível! Reflete uma alma pequena ou uma pessoa que não foi amada e ainda não aprendeu a amar.

    Todo mundo condena o assédio, mas não pensam duas vezes antes de falar mal de quem é miguxo!

    Amei seu artigo!

    Esse comentário é uma homenagem aos miguxos que podem falar estranho, mas normalmente são pessoas sensíveis e bem intencionadas

    março 16, 2009 às 15:05 Responder
  • Já viu o documentário “The Trap” do Adam Curtis? Isso é muito bem explicado ali, é o vale tudo. O maior engole o menor e os fins justificam quaisquer meios, o caso é que tudo isso não está nos levando pra lugar algum, muito pelo contrário, leva ao conflito e em conflitos (ou guerras) todos perdem algo , interessante não? :)

    março 16, 2009 às 16:38 Responder