24
MAR

Chegou a vez da web se apropriar do Teatro?

startupsPor Wagner Fontoura(7) Comentários

Coletiva de Imprensa Cennarium

Fui convidado para a coletiva de imprensa de lançamento do Portal Cennarium, no ar a partir do dia 27 de março de 2010. E o convite me chamou a atenção pelas pretensões do grupo que empreende esta iniciativa – o Nortik (antigo Grupo Businessquare), holding carioca presidida pelo empresário Harry Fernandes e que administra esta e outras startups do segmento de tecnologia digital – a NextLeader e a Politike, as quais estive visitando no início do ano, a convite do Guto Costa executivo do grupo.

A Cennarium, iniciativa pioneira no mundo, quer levar o teatro a toda a pupulação brasileira e ser o maior projeto sociocultural do país.

Com investimento inicial da ordem de R$ 10 Milhões, o Portal Cenarium hospedará peças de teatro filmadas com tecnologia de altíssima definição e as distribuirá em rede com variações de formatos para os mais diversos tipos de banda de internet e de equipamento para quem se propuser a pagar um preço que variará entre R$ 10,00 e metade do valor da peça no teatro onde ela porventura esteja sendo exibida. Isso se ela estiver sendo exibida, porque a iniciativa se propõe  a filmar inclusive peças produzidas exclusivamente para este meio de difusão – a web. Mais da metade da receita líquida das vendas de peças pelo portal será creditado às companhias de teatro parceiras. Não é à toa que a adesão de boa parte da categoria foi instantânea.

Apresentado na coletiva de hoje pelo ator Fulvio Stefanini e amparada no depoimento positivo e no apoio entusiasta de vários outros importantes nomes do cenário teatral brasileiro como Xuxa Lopes, o diretor Zé Celso e vários outros presentes, o Portal agregará ainda uma web tv, batizada de TV Cennarium, com informações, bastidores, entrevistas, making of e tudo mais o que diga respeito ao universo teatral, inclusive uma loja virtual. Parte desses recursos também disponível em telefonia móvel – inicialmente para iPhone – a partir do download de um aplicativo específico para este fim.

Uma lacuna importante que essa iniciativa visa preencher é o fato do teatro brasileiro não ter memória e os registros das peças em vídeo contribuirá efetivamente para este fim.

Som e iluminação eram chaves que impediam que esse tipo de registro em vídeo fosse feito no teatro. Coisas que as atuais tecnologias de  high-definition deram cabo de resolver, proporcionando condições ideais de temperatura e pressão para o empreendimento.

Questões importante como a possibilidade de pirateamento das peças foram levantadas na coletiva e a equipe de executivos e técnicos da empresa se mostrou segura de ter as armas para enfrentar esse tipo de desafio. Sabem que temas como a pirataria são fatores críticos para o sucesso da empreitada.

O apelo da inclusão sociocultural é algo muito forte na iniciativa. “O uso de recursos digitais permitirá a socialização dessa arte no Brasil, devido aos preços altamente atrativos”,  afirma o CEO da empresa, Harry Fernandes. “Além de distração e entretenimento, as peças veiculadas pelo Portal podem se transformar em uma poderosa ferramenta de educação e formação de público para as salas de teatro, com as quais não concorreremos, mas difundiremos”, complementa.

Segundo análise realizada recentemente pela UFMG, apenas 40% dos moradores de 9 regiões metropolitanas (Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém) consomem cultura. O resto do país, então, nem se fala. Fica de fora devido ao custo, falta de hábito ou falta de iniciativas nas suas regiões (salas, produção, etc).

A edição de 2009 do Anuário de Estatísticas Culturais, produzido pelo MinC e Funarte, aponta que atualmente o Brasil possui pouco mais de 1.000 salas de teatro, 44% delas concentradas no RJ e em SP. Isso nos dá razões de sobra pra torcer pela iniciativa da Cennarium. Faz valer o registro aqui e a sugestão de que DIVULGUEM e ajudem a aprimorar essa iniciativa. Isso porque a empresa afirma que investira de forma consciente na natureza colaborativa da rede, aprimorando seus recursos com base na inteligência coletiva dos usuários. Muito bem!

  • Twitter
  • Windows Live Favorites
  • Google Reader
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • FriendFeed
  • Delicious
  • Technorati Favorites
  • Plurk
  • Windows Live Spaces
  • Share/Bookmark
  • Olá Wagner!

    Achei a iniciativa muuuito, mas muito boa mesmo…. só que não é mais “teatro”… deixa ver se me explico:

    Como registro de uma ação teatral, o site com certeza servirá muito bem. Assim como, para que as pessoas tenham noção de ações que estão acontecendo (ou que aconteceram!).

    Mas, o cerne do teatro está na relação estabelecida entre atores e público. Uma relação viva e “única” pois nunca consegue ser repetida.

    A base sobre qual se assenta o teatro é sua “efêmeridade”. Nossa maior “qualidade” é o que nos condena à um trabalho “artesanal”.

    Mas, volto a dizer, acho a idéia incrível…. só que não é mais teatro!

    março 24, 2010 às 19:09 Responder
    • Max,

      Essa questão foi uma das mais debatidas na coletiva de hoje, inclusive com os artistas presentes e sua visão a respeito da relação “única, pois nunca consegue ser repetida” foi unânime entre eles também.

      Só que, como a proposta não é substituir essa experiência única, mas levar a aqueles que não tem acesso ou preferirem um pouco dessa experiência em casa, dando acesso e visibilidade aos atores, autores, textos, enfim, compartilhando (apenas) aquilo que é possível compartilhar, despertando novas paixões pela arte do teatro.

      Você está certo. E a idéia me pareceu também, como a você, bastante inteligente e forte no seu apelo.

      março 24, 2010 às 19:21 Responder
  • Marcio, o nosso objetivo não é a substituição deste momento único, sabemos que nada substituirá a sensação e a relação de intimidade do artista com o publico, mas acreditamos que podemos despertar através do virtual o interesse pelo presencial.
    Se pensarmos em termos de Brasil , somente 5% da população tem acesso e conhecimento do teatro. Muitos do 95% que “restam” nunca foram ver uma peça, e nunca foram por um simples motivo: não existe teatro na cidade, ou se existe, as companhias nunca passam por lá.
    Na coletiva de hoje, uma jornalista de Tocantins, disse que uma informação que tínhamos dado estava errada. Nós dissemos que na cidade de Palmas só havia um teatro – ela nos desmentiu e disse : “ há três semanas atrás um novo teatro foi inaugurado”, só que a ultima peça que foi levada a cidade foi a três meses atrás. E disso que estamos falando, é de encurtar a distancia destas pessoas com o mundo teatral.Se com o nosso projeto conseguirmos atingir mais 2% da população brasileira, reduzirmos esta falta de acesso e conhecimento a 93%, e estaremos trazendo para o mundo teatral cerca de 3 milhões e 400 mil pessoas.
    Veja, não gravamos com paradas(estilo novela), gravamos a peça na hora da sua realização, ao vivo, sem cortes ,em alta definição, de 5 a 12 cameras, sem mexer na luz, em nada. Respeitamos a linguagem colocada pela direção da peça, e junto com as produções estudamos os melhores ângulos, os momentos certos de captar reações, os momentos chaves de cada ator, os pontos fortes da interpretação, e normalmente na hora da gravação o diretor da peça fica dentro da unidade móvel.
    Claro que cada interpretação é única, e nunca mais vai se repetir, mas veja, o dia que gravamos a peça, ele também será único, só que agora ele não ficara mais restrito a um único teatro ,para 200 pessoas, em uma determinada cidade- agora este momento pode estar sendo visto por muitas pessoas, em qualquer cidade do Brasil, em qualquer lugar do mundo.
    Fora a isto, representa para as companhias de teatro, uma nova mídia, uma nova fonte de arrecadação. Acredito que você saiba o quanto custa hoje produzir teatro no Brasil, o quanto é difícil o patrocínio. Tem companhias que gastam um bom dinheiro, e por vários motivos só conseguem se manter 3 meses em cartaz. Com a Cennarium o tempo não existe, uma peça pode ficar no ar por tempo indeterminado, tendo constantemente uma bilheteria, alem de pode manter duas, três, quatro, varias peças ao mesmo tempo,e com um detalhe importantíssimo : não cobramos nada das companhias, todo o custo de captação é nosso.
    Outro fator é que nossa ação não ficará restrita ao eixo Rio-São Paulo, queremos captar peças de outros estados, pois sabemos que existem ótimos grupos teatrais pelo Brasil que muitas vezes ficam restritos a sua própria cidade. E que podem serem consumidos da forma inversa, pelo publico do eixo Rio-São Paulo,e também por todo o Brasil.

    março 24, 2010 às 23:18 Responder
  • Max, mil desculpas, escrevi Marcio – no momento que estava escrevendo estava ao telefone com nosso gerente de projetos que chama Marcio, e por instinto escrevi Marcio em vez de Max. Por este motivo, pelo grave erro cometido por mim, entre em contato comigo, para que eu possa lhe liberar um Free Pass, para que você possa assitir algumas das peças por nós captadas.

    março 24, 2010 às 23:24 Responder
  • INÊS

    Achei a idéia incrível. Acho que temos muitas peças gravadas que poderiam ser vistas por quem não teve oportunidade de assistir ao vivo, que é o meu caso. CONTINUEM COM ESSE PROJETO ÓTIMO!!!!!!!!!!!!

    março 31, 2010 às 15:58 Responder
  • Sensacional. Acredito que isso só vai estimular assim como um DVD de um show nos estilmula ir ver o artista ao vivo!

    abril 16, 2010 às 15:08 Responder