18
MAI

Algumas verdades inconvenientes

RecomendoPor Wagner Fontoura(9) Comentários

andrew-keen

Andrew Keen – o polêmico autor do livro O Culto do Amador – será o próximo entrevistado de Juliano Spyer no Talk Show.

Estava eu a bebericar a enésima taça de vinho na casa do amigo Juliano Spyer, na companhia de alguns poucos e seletos amigos, numa noite fria de um domingo recente quando, do nada e despretensiosamente, comentei a respeito do incômodo que vinha me causando a releitura do tal Culto do Amador, (por sugestão da amiga Samantha Shiraishi) publicado agora em português pela Zahar. Ali mesmo trocamos idéias a respeito de como seria interessante trazer o Andrew Keen para um painel de debates com agentes brasileiros de mídias sociais. A idéia acabou sendo levada a cabo pelo Juliano e nessa sexta, dia 22 dia 29 de maio, teremos um TalkShow com o dito cujo.

Quando comentei sobre estar a reler o livro de Keen no Twitter, por falta do que fazer, preso já havia mais de 3 horas numa aeronave que não decolava de Buenos Aires por falta de teto,  há algumas semanas, a 1a resposta que veio em reply foi:

@doni: “O Culto do Amador” é incômodo de tão ruim que é.” =D

“… os macacos amadores de hoje podem … publicar qualquer coisa, de comentários políticos mal informados a vídeos caseiros de mau gosto, passando por música embaraçosamente mal-acabada e poemas, críticas ensaios e romances ilegíveis.”

Muitas e muitas passagens d”O Culto…” me deixam com a impressão de que o autor rumina ainda ranços de uma cultura obsoleta como quem não quer enxergar a realidade dos fatos, mas essa é ainda a parte boa. A ruim fica por conta das outras muitas e muitas outras passagens em que somos confrontados pelo autor com “verdades inconvenientes”.

Keen é leitura essencial por quem está no mercado online por dois motivos: ele é o cara cético que está do outro lado da mesa sempre que vamos apresentar nossos projetos e propostas e ele também é o cara que mais incisivamente nos confrontou com os problemas trazidos pela Web.” Juliano Spyer

Não há como negar “o lado negro da web“. Eu me canso (literalmente) de tanto tropeçar no lixo componente da massa ainda disforme auto intitulada “Web 2.0″ e por mais que eu mesmo seja um missionário de 1a hora da criação de mercados de fato em torno das novas tecnologias de comunicação online, vamos combinar: o lixo é tanto que sufoca; os riscos são tantos que às vezes nos atropelam; mudanças foram provocadas antes que alguns mercados se preparassem para elas e isso demanda que corramos a uma velocidade maior do que o que nossas pernas dão conta.

Jesus, e quando começaremos a notar vida inteligente na web na mesma proporção em que inteligentes são as novas ferramentas ao nosso alcance, as novas tecnologias disponíveis?!

Keen não é o Anticristo como um dia eu mesmo cheguei, ingenuamente, a pensar que fosse. É o cara que ousou provocar, desafiar, meter o dedo nas inúmeras feridas da Web 2.o (mesmo que tenha sido somente por oportunismo – e eu nem penso que sim). O mais duro crítico dessa idéia de que “a Web vai redimir a humanidade pela democratização do acesso à informação e ao conhecimento“. É leitura obrigatória sim para quem está no mercado online.

Muito oportuno será o TalkShow dessa sexta. Não percam. É uma oportunidade única de questionarmos “o questionador” de tudo aquilo pelo que vimos labutando nos últimos tempos.

(*) Juliano Spyer é palestrante e autor do livro Conectado – O que a internet fez com você e o que você pode fazer com ela, lançado em 2007 pela editora Jorge Zahar. É especialista e responsável por mídias sociais, na TALK.

(**) Para quem não conhece e ainda não participou, o TalkShow é uma espécie de rádio 2.0 – você escuta o evento pela internet e participa pelo Twitter, fazendo perguntas e comentários. Aqui estão os podcasts das entrevistas anteriores.

(***) O link para se acompanhar ao vivo o TalkShow é disponbilizado no blog da Talk (sua patrocinadora) e pelo Twitter antes do evento. A hashtag para quem quiser acompanhar ou participar pelo Twitter é #talkshow.

Update: Aqui uma resenha do livro O Culto do Amador pelo Marcelo Träsel, Mestre em Comunicação pela UFRGS/RS/BR e Professor da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS/RS/Brasil, que me foi indicada pelo autor via twitter ->> “Uma obra que cultua a polêmica desinformada”

  • Twitter
  • Windows Live Favorites
  • Google Reader
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • FriendFeed
  • Delicious
  • Technorati Favorites
  • Plurk
  • Windows Live Spaces
  • Share/Bookmark
  • nao entendi bem o titulo “verdades inconvenientes”. o que voce colocou aqui sao opinioes e sentimentos, e nenhum fato concreto. o titulo é enganoso e sensacionalista e nao faz jus ao teu texto, mais ponderado e honesto.

    eu tenho dado a cara pra bater criticando tambem o que eu considero arriscado, questionavel e quimerico na apologia missionaria de tecnologias que, como qqer inovacao, trazem solucoes e novos problemas. voces sabem disso. acabo de publicar mais um agora mesmo sobre limitacoes do twitter, espero que voce aprecie e critique abertamente http://www.usina.com/rodaeavisa/2009/05/#005144

    maio 19, 2009 às 11:32 Responder
    • “diga o que quiser do conteúdo gerado por usuários, de web 2.0, etc… mas quanto mais o tempo passa mais tempo eu gasto com conteúdo editorial de primeira” – mesmo que a cada dia me pareça sim mais difícil encontrá-lo na web, misturado que anda a tanto lixo. É mais ou menos a isso que me refiro no título, Rene. []s!

      maio 19, 2009 às 13:22 Responder
  • Hum…não conhecia este escritor, e muito menos seu livro e suas opiniões sobre a Web 2.0

    Mas concordo com o fato de haver muito lixo por aí. Eu mesmo tenho um blog que se for separar o que é informação útil da inútil, acho que a primeira será rebaixada de divisão!

    O problema, acredito, não está no conteúdo que existe, e sim nos leitores destes conteúdos. Antes de começar a postar minhas matérias inúteis fui verificar, por exemplo, o que os blogs mais bam bam bams da web andavam publicando, e pásmem, fiquei chocado! E o pior é o ibope e audiência de tais blogs, é de fazer inveja a sites conceituadíssimos.

    O que posso concluir com isso? Bem, na minha opinião estamos vivendo o boom da inclusão digital. Nunca houve tanta gente se conectando com a web como agora. E a grande maioria destas pessoas ainda vive o explendor desse novo universo. E como é muito fácil navegar pelo browser, eles ficam se divertindo com assuntos e materias que, se fosse apresentada no dia a dia em uma forma impresa, não teria tanto sucesso.

    Se há espaço para conteúdo de qualidade? Mas com certeza! Mas por hora acredito que é importante tentar educar estes novos leitores. Faça-os gostarem primeiro das inutilidades, e com o tempo vá fazendo com que migrem para a qualidade que todos desejamos!

    Só para constar: uso a internet desde 95. No inicio eu também só navegava por inutilidades como bate papo do uol, sites pornos e essas baboseiras! hehehe

    Mas hoje já estou mais cadenciado no que leio. Já o que publico é outra história!

    maio 19, 2009 às 13:55 Responder
  • Fernanda Bas

    Estou ansiosa pela entrevista, pode dizer a que horas vai acontecer???

    maio 19, 2009 às 14:17 Responder
  • Ainda não li o livro mas andei lendo sobre ele e foi o que pensei, quer dizer, é sempre bom alguém aparecer e chutar tudo pra ver se melhora, porque dependendo da informação que a gente procura na rede só encontra porcaria e a informação correta meio que se perde no mar de links

    maio 19, 2009 às 19:41 Responder
  • André Nunes

    Li o livro e considero muito interessantes as idéias de Andrew Keen. O importante é que o enfoque que a mídia tradicional dá a Internet é sempre como uma coisa de valor menor afinal qualquer um pode escrever e não existem filtros eficientes para separar o bom do mediocre.
    Acredito que estamos no meio de uma quebra de um sistema secular e que do caos da Internet surgirão canais confiáveis e que a colaboração em massa pode gerar ótimos conteúdos.

    maio 20, 2009 às 14:51 Responder
  • É sempre bom alguém que pensa diferente, nos textos apresentados acima podemos sentir o quanto ele deverá provocar polêmica.

    Eu dia que ele vai contra a multidão, contra a a anarquia do progresso, me lembra até o ano de 1985 quando me disseram se eu era contra as diretas. O povo sem educação não sabe votar, muito tempo se passou até que aprendêssemos a andas, com nossas próprias pernas.

    A revolução que se inicia na internet pode ser considerada, por mim, como a grande maravilha do mundo moderno, é tão nova que até uma criança poderia apresentar suas críticas, mas é um processo natural, sem volta, estamos começando a andar, ou a navegar pelas novas ferramentas, literalmente falando.

    junho 1, 2009 às 06:08 Responder
  • Jogada Manjada

    Na minhna opinião ele é apenas mais um ganhando espaço pra defender a máfia autoral e seus negócios cerceadores e dinossauróticos (direito autoral), além de defender os interesses do poder oculto mundial dos super ricos que tem tb na mídia ponta de lança de sua dominação ideológica mental global (através da lavagem cerebral diária da mídia de massa e de todas as teias outras necessárias para colocar a população sob rédeas ideológicas e psicológicas, além de lhes forçar subjetividades que sejam apalatáveis aos controladores mundiais, ou seja, os super ricos, que controlam as mídias a seu favor). Portanto, atacar a internet de todas as maneiras possíveis, seja vendendo um “terrorismo autoral” (os downloads destruirão o mundo, a cultura e a economia! óh!!!!! óh!!!!!!), já mais do que achabuletado; seja vendendo a idéia de que a sociedade, na sua individualidade (de indivíduos) só produzem lixo e por isso mesmo “devemos deixar as informações e o controle ideológico a cargo das mídias padrões”, essas mesmas a serviços dos super ricos e do status quo desde sempre….

    Jogada manjada… Keeeeeeeeeeeeeen, tente outra!

    julho 24, 2009 às 11:08 Responder