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A vida já é excessivamente utilitária

BlogosferaPor Wagner Fontoura(13) Comentários

É curioso perceber como alguns sentimentos têm se tornado comuns entre algumas pessoas que eu acompanho na blogosfera brasileira – sentimentos como o de que o tempo é um inimigo a ser vencido, por exemplo; ou, ainda, um certo “cansaço” (até meio blasé e “sem vontade”) motivado pelo stress de se produzir ainda, e depois de tanto chão percorrido, ainda e sempre, algo novo, relevante, importante…

Peguei emprestada do Leandro Filippi – do seu ótimo Fazendo por prazer: um elogio à inutilidade – e, antes, do João Moreira Salles, em entrevista para revista Getulio, (ed. de Setembro de 2007), a frase que dá título a esse post. Ela daria um bom mantra em substituição a outros tantos que eu gostaria de ver abolidos da minha vida – e vou procurar fazê-lo.

A gente não tem que mudar mesmo o mundo com cada gesto, cada ação, cada obra supostamente cheia de questionável relevância – a gente só precisa mesmo é progredir um pouco mais a cada dia, dia após dia, e se tornar melhor, melhorando, consequentemente, o ambiente do nosso entorno. Isso só já seria suficientemente bom e já deixaria uma boa dose de contribuição para a humanidade (rs – já estou eu aqui de novo falando em atingir a humanidade com minha megalomania – que bobagem!).

[…] “Quando o Michael Moore era menos poderoso, fazia filmes melhores. Agora ele sai pra conhecer o mundo já sabendo como o mundo deve ser. Ele é um homem de certezas, assim como o Bush, que acredita ter falado com Deus. ” João Moreira Sales

É assim mesmo. Sair para o mundo “já sabendo como o mundo deve ser”. É isso o que fazemos todos os dias, sem nos darmos conta dessa tolice.

Alguns dos melhores blogueiros (sob o meu atual ponto de vista) que escrevem para outros blogueiros como a a Nospheratt, no seu Blogando por Dinheiro (…com inteligência), o Noronha, no seu O Fim da Várzea e o Bruno Alves, no BrPoint – pra ficar apenas em 3 bons exemplos – têm se mostrado cada dia menos “técnicos” e cada dia mais “humanizados” em seus artigos que servem de norteadores a nós outros (porque escrevem pra gente mesmo) e isso acontece de forma meio que orquestrada não por um ou diversos líderes, mas pelo amadurecimento que vem sendo conquistado no transcorrer desse ano de 2007, que a mim já parecia ser uma espécie de “marco zero” da nossa blogosfera.

Eu pensava no quanto seria pretensioso acreditar nesse suposto “marco zero”, quando leio o Noronha jogando verdades nas nossas caras na sua análise seca e inteligente d´A Web 2.0 e os Caranguejos.

“Se você lembrar a Rede em 1999, 2000, Internet era sinônimo apenas de pornografia gratuita e meia dúzia de sites brasileiros replicando as notícias dos jornais. Hoje em dia, goste você ou não, é a mesma coisa.

Precisamos aceitar o fato de que vivemos o Dia 0 da Intenet no Brasil. Esqueça o que ficou para trás [...]“

Eu sempre acreditei que o segredo do sucesso das nossas empreitadas online estaria no offline. Acreditei que teríamos que levantar as nossas bundas geeks da cadeira para buscar lá fora recursos que nos dessem sustentabilidade no mundo virtual. Mas é mais que isso. É no “mundo real”, no presencial, que se encontra também o combustível, o gás pra seguirmos adiante também sob aspectos pessoais. O Cardoso que o diga, depois do seu retiro para O paraíso dos blogueiros, de onde voltou “vendo coisas” (será que o Guilherme anda fornecendo aquela erva maldita de Minas Gerais pro cara?).

Ficar um tempo off é bom sim, Bruno. Voltar ao off com frequência rotineira é melhor ainda. Pra mim o mestre do offline é, não por coinscidência, um dos melhores blogueiros do nosso cenário (e um ícone do cenário empresarial brasileiro) – o Fábio Seixas, o qual tive o prazer de conhecer pessoalmente no BlogCamp SP 2007 e que, antes de ser um blogueiro profissional é um profissional blogueiro, “invertendo o cabo da viola”. Funciona.

Neste feriado prolongado estive no interior de SP. 100% offline. Redescobrindo que há vida lá fora e o quanto é bom fazer parte dela, apesar de todos os projetos acumulados na mesa de trabalho e no desktop.

Daniele, um beijo pra você! Já estou com saudades…

Um grande abraço pros demais.

Wagner Fontoura

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  • É meu caro, parece que estamos sincronizados – passei este fim-de-semana em São Borja, com meu pai e, apesar de não ter estado “100% off”, posso dizer que fiquei 99,9% off… Não posso negar: um pouquinho de angústia fazia meu pensamento voltar à segunda-feira, ou seja – não consegui me desligar completamente… Mas não adianta, sou assim. Quem sabe a filharada mude este meu jeito de ser, no futuro…

    outubro 16, 2007 às 08:11 Responder
  • Tá bom, Rafael, confesso: 100% off tb não fiquei (a droga do quarto do hotel tinha um maldito ponto de acesso à internet), mas os 99,9% off já foram perfeitos! ;)

    outubro 16, 2007 às 09:11 Responder
  • Fiquei 70% offline.

    Nos outros 30%% acessei a net com laptop e celular. Não é que funciona? Fiquei abismado com a tecnologia, eu estava na roça e atualizando o PdH.

    O melhor mesmo foi a erva que arranjei nos 70% offline… hahahahah

    Abração, Wagner

    outubro 16, 2007 às 18:32 Responder
  • Excelente ‘post’. Há muito que eu sentia a blogosfera um tanto ‘não humanizada’, voltada em demasia para fatores técnicos, com textos insalubres, parecendo conversa de jurista (com linguagem tão específica, que exclui a maioria – justamente os ‘clientes’, por assim dizer). Agora já se percebe mesmo uma ‘mudança de rumo’. Um abraço!

    outubro 16, 2007 às 19:10 Responder
  • Guilherme, o tarado aqui veio parando em cada pedágio, em cada restaurante maiorzinho, alucinado por uma sinal de rede sem fio (e graças a Deus sempre tinha uma) – rs. Pra mim o feriado acabou na saída do hotel. :P

    André, eu imagino que a gente ainda vá passar por um monte de “mutações” até encontrar o ponto de equilíbrio entre o bom senso, o prazer, o “negócio em si”. Acho que o momento é de experimentar mesmo, até achar o tom.

    Abraços!

    outubro 16, 2007 às 19:34 Responder
  • Estou achando incrível. A blogosfera decidiu ficar offline esse fim de semana. Estou lendo mais de um artigo falando sobre isso e aliás estou escrevendo o meu também.

    Também fiquei o fim de semana todo fora :-)

    Precisamos redescobrir o mundo lá fora!

    Abraço!

    outubro 17, 2007 às 08:40 Responder
  • Wagner,

    Bacana que gostou do recorte da entrevista, ela me impactou de uma maneira bem positiva. Espairecer é sempre bom, melhora a qualidade do que fazemos, sem dúvidas.

    Um abraço!

    outubro 17, 2007 às 10:57 Responder
  • O povo está cansado :d Passar mais de um ano escrevendo uma coisa nova todos os dias é muito trabalho :d.

    Os meta-blogs precisavam ser muito técnicos no início, pois a maioria das dúvidas eram assim, agora com a quantidade de blogs novos que já dominam a técnica básica, podemos focar um pouco mais na atividade, sem se preocupar tanto assim com a técnica.

    Não estou dizendo que deixaremos de ser técnicos, as vezes será necessário, mas a tendência é que os meta-blogs entrem, cada vez mais na parte subjetiva da atividade.

    Abraço

    outubro 17, 2007 às 14:10 Responder
  • Concordo, Bruno. Até porque antes o perfil da blogueirada era um e agora está mais diversificado.

    outubro 17, 2007 às 14:31 Responder
  • Eu tenho conseguido ficar 90% offline todo fina de semana, a namorada me obriga com um revólver apontado, hehe…
    2007 parece ser realmente o separador de águas, muitos cairão e muitos seguirão fortalecidos.

    outubro 17, 2007 às 15:35 Responder
  • Noronha, vc não precisava dar a dica pras outras namoradas de plantão, né? rs
    É engraçado como a às vezes aparente e suposta falta de rumos da blogosfera tem, na prática, é resultado em novas frentes de possibilidades pouco mais ou menos diversas (dependendo do ponto de vista de onde se avalia isso). Os cães latem e algumas caravanas passam…

    outubro 17, 2007 às 15:50 Responder