É curioso perceber como alguns sentimentos têm se tornado comuns entre algumas pessoas que eu acompanho na blogosfera brasileira – sentimentos como o de que o tempo é um inimigo a ser vencido, por exemplo; ou, ainda, um certo “cansaço” (até meio blasé e “sem vontade”) motivado pelo stress de se produzir ainda, e depois de tanto chão percorrido, ainda e sempre, algo novo, relevante, importante…

Peguei emprestada do Leandro Filippi – do seu ótimo Fazendo por prazer: um elogio à inutilidade – e, antes, do João Moreira Salles, em entrevista para revista Getulio, (ed. de Setembro de 2007), a frase que dá título a esse post. Ela daria um bom mantra em substituição a outros tantos que eu gostaria de ver abolidos da minha vida – e vou procurar fazê-lo.

A gente não tem que mudar mesmo o mundo com cada gesto, cada ação, cada obra supostamente cheia de questionável relevância – a gente só precisa mesmo é progredir um pouco mais a cada dia, dia após dia, e se tornar melhor, melhorando, consequentemente, o ambiente do nosso entorno. Isso só já seria suficientemente bom e já deixaria uma boa dose de contribuição para a humanidade (rs – já estou eu aqui de novo falando em atingir a humanidade com minha megalomania – que bobagem!).

[…] “Quando o Michael Moore era menos poderoso, fazia filmes melhores. Agora ele sai pra conhecer o mundo já sabendo como o mundo deve ser. Ele é um homem de certezas, assim como o Bush, que acredita ter falado com Deus. ” João Moreira Sales

É assim mesmo. Sair para o mundo “já sabendo como o mundo deve ser”. É isso o que fazemos todos os dias, sem nos darmos conta dessa tolice.

Alguns dos melhores blogueiros (sob o meu atual ponto de vista) que escrevem para outros blogueiros como a a Nospheratt, no seu Blogando por Dinheiro (…com inteligência), o Noronha, no seu O Fim da Várzea e o Bruno Alves, no BrPoint – pra ficar apenas em 3 bons exemplos – têm se mostrado cada dia menos “técnicos” e cada dia mais “humanizados” em seus artigos que servem de norteadores a nós outros (porque escrevem pra gente mesmo) e isso acontece de forma meio que orquestrada não por um ou diversos líderes, mas pelo amadurecimento que vem sendo conquistado no transcorrer desse ano de 2007, que a mim já parecia ser uma espécie de “marco zero” da nossa blogosfera.

Eu pensava no quanto seria pretensioso acreditar nesse suposto “marco zero”, quando leio o Noronha jogando verdades nas nossas caras na sua análise seca e inteligente d´A Web 2.0 e os Caranguejos.

“Se você lembrar a Rede em 1999, 2000, Internet era sinônimo apenas de pornografia gratuita e meia dúzia de sites brasileiros replicando as notícias dos jornais. Hoje em dia, goste você ou não, é a mesma coisa.

Precisamos aceitar o fato de que vivemos o Dia 0 da Intenet no Brasil. Esqueça o que ficou para trás [...]“

Eu sempre acreditei que o segredo do sucesso das nossas empreitadas online estaria no offline. Acreditei que teríamos que levantar as nossas bundas geeks da cadeira para buscar lá fora recursos que nos dessem sustentabilidade no mundo virtual. Mas é mais que isso. É no “mundo real”, no presencial, que se encontra também o combustível, o gás pra seguirmos adiante também sob aspectos pessoais. O Cardoso que o diga, depois do seu retiro para O paraíso dos blogueiros, de onde voltou “vendo coisas” (será que o Guilherme anda fornecendo aquela erva maldita de Minas Gerais pro cara?).

Ficar um tempo off é bom sim, Bruno. Voltar ao off com frequência rotineira é melhor ainda. Pra mim o mestre do offline é, não por coinscidência, um dos melhores blogueiros do nosso cenário (e um ícone do cenário empresarial brasileiro) – o Fábio Seixas, o qual tive o prazer de conhecer pessoalmente no BlogCamp SP 2007 e que, antes de ser um blogueiro profissional é um profissional blogueiro, “invertendo o cabo da viola”. Funciona.

Neste feriado prolongado estive no interior de SP. 100% offline. Redescobrindo que há vida lá fora e o quanto é bom fazer parte dela, apesar de todos os projetos acumulados na mesa de trabalho e no desktop.

Daniele, um beijo pra você! Já estou com saudades…

Um grande abraço pros demais.

Wagner Fontoura