
O post exatamente anterior a este, retratando (e, em algum momento, especulando sobre) os movimentos do blogueiro Antônio Tabet, autor de um dos maiores blogs brasileiros – o Kibe Loco – a caminho de se estabelecer como “uma empresa de entretenimento” foi cenário de discussões acaloradas entre defensores e detratores do referido autor, quando, a mim, leva a questionar coisas como o fim prenunciado do modelo de negócio que sustenta e provê recursos a blogueiros que vivem atualmente da publicidade online, seja em que formato for.
Lendo, no final de semana passada, matéria publicada n’O Estado de S. Paulo sobre “Como salvar os jornais (e o jornalismo)“, de autoria de Walter Isaacson – ex-editor da revista Times e atual presidente do Instituto Aspen – não pude deixar de me ver às voltas com o sentimento de que se aproxima o momento em que as publicações online, sejam blogs ou quaisquer outras páginas eletrônicas de jornais, revistas, portais de notícias ou afins, precisarão encontrar saídas para a cilada em que nos colocamos ao apostar todas as nossas fichas na publicidade como fonte segura e una de receitas para as suas manutenções.
Com base na referida matéria do Estadão e segundo o Centro de Pesquisas Pew, “em 2008 as notícias gratuitas publicadas na Internet foram mais procuradas do que as notícias publicadas em jornais e revistas impressos (e pagos) que publicavam o mesmo conteúdo nos EUA”. Quando a publicidade eletrônica entrou em declínio, no terceiro trimestre de 2008, esse modelo de negócio teria entrado em de colapso.
Tradicionalmente, jornais e revistas contam com 3 fontes de receitas:
Temos presenciado, dia após dia, o fechamento de inúmeros jornais no mundo todo, seja porque não se adaptaram ao novo modelo de negócio, que se baseia em publicidade na Internet ou, paradoxalmente, porque apostaram nesse modelo e se viram capengas diante da impossibilidade de se sustentarem exclusivamente com esse formato, uma vez que a queda nas vendas nas bancas é crescente e avassaladora
“Como apostar única e exclusivamente num modelo em que o comprometimento primário de uma publicação – seja um jornal, uma revista ou uma website (blogs inclusive) – seja com anunciantes e não com o seu público?” vaticinou Henry Luce, cofundador da revista Time recentemente, ao desdenhar de publicações gratuitas que dependem apenas de receitas provenientes da publicidade.
Ainda segundo Luce, “as publicações acabarão produzindo apenas páginas sobre coisas que desejam os anunciantes, em detrimento, por exemplo, de resenhas literárias”. Impossível permanecer impassível diante desse questionamento.
O advento do banner como primeiro tipo de anúncio na web e que predominou de 1994 a 2000 foi o que levou o mercado à crença de que não seria mais preciso cobrar pelo conteúdo ao usuário e nos levou a todos ao atual modelo de dependência quase exclusiva do anunciante para sustentarmo-nos como produtores de conteúdo. Mesmo quando o banner foi em larga escala substituído pelo modelo de publicidade transformado pela Google naquilo que fez dos blogs uma possível fonte de renda para os blogueiros e mesmo para publicações de maiores pretensões como os portais de notícias e as páginas eletrônicas da “velha mídia tradicional”.
O conteúdo chamado “publieditorial“, por sua vez, reforça a aposta no modelo de remuneração baseado no anunciante e, não por acaso, é criticado por boa parte dos websurfers e mesmo por parte dos players do próprio mercado publicitário e anunciante. Agências de publicidade online e especialistas em mídias sociais têm apostado cada dia mais em soluções mais elaboradas e criativas de adesão dos principais geradores de buzz online às suas idéias pretensamente virais, com casos de mais ou menos sucesso em promover o word of mouth, e vêm construindo uma trilha alternativa e (espera-se) sustentável de sucesso nesse sentido.
O que posso afirmar, como quem tem relacionamentos próximos de negócios com editoras, emissoras de tv, agências de publicidade e anunciantes, é que, se 2008 foi um ano de afirmação das novas mídias sociais, em detrimento do declínio dos espaços ocupados pelas mídias ditas tradicionais no mercado, isso, por sua vez, fez saltar aos olhos a fragilidade de se depender exclusivamente do anunciante como modelo de negócio – modelo que a atual crise financeira mundial ajudou sobremaneira a colocar em cheque.
Iniciativas de transformar as mídias diversas em fornecedoras de soluções, produtos e serviços complementares e cheios de sinergias, como alternativas ao velho modelo de venda de conteúdo, podem ser a chave que nos abrirá novas possibilidades de sustentação como mídia. Quem (sobre)viver verá.
Leia Mais: Faturamento da Publicidade no Brasil em 2008
Esse modelo de publicidade para os blogs que está em vigor pode ser precário e receber muitas críticas, mas acho que, por enquanto, é o mais viável para remunerar blogueiros.
Certa vez, perguntei informalmente no Twitter se as pessoas aceitariam pagar para ler os posts do seu blog favorito e a maioria esmagadora respondeu não.
Ou seja, algo que nasceu gratuito e feito unicamente para a diversão dificilmente adotará modelos de negócio igual a um jornal impresso. Mas não custa tentar.
Os pontos chave aqui são econômicos. Primeiro a análise dos operadores tradicionais leva em conta, mas não fala, o fato de que as mídias sociais passam a ‘comer’ um pedaço do faturamento que antes era disputado apenas pelas empresas tradicionais de mídia, que quase sempre têm o modelo misto (físico/eletrônico) por base. Ora, até alguns anos atrás o mercado estava na mão de um pequeno número de operadores que ditavam o preço, e ficava por ali, agora, como você mesmo falou no post Wagner, “2008 foi um ano de afirmação”, estamos aqui, e queremos um pedaço do bolo também.
O segundo ponto chave é o custo operacional, não tem como comparar a estrutura de uma empresa de mídia tradicional com as de mídia social. Enquanto as empresas “sociais” puderem resistir ao inchaço típico do crescimento e manter um custo operacional controlado e controlável, elas poderão oferecer espaço publicitário a preço substancialmente mais atraente para o anunciante, e conseqüentemente um ROI mais efetivo. É só comprar as tabelas de preço para anúncios semelhantes em um e em outro.
Claro, há a questão de escala, mas este é um problema que os editores de mídia social, possivelmente junto com os operadores (agências) deverão encontrar um meio de contornar, coisa que já está começando a acontecer.
E ao passo que acontece a migração dos anunciantes dos “tradicionais” para os “sociais”, com uma motivação mista entre a imagem de “moderno” e o custo mais atraente para o anunciante, a crise chega como possível catalisador deste movimento migratório. A bandeira do custo ganha mais força, e quiçá, este ano marque isso, mesmo em meio a toda turbulência.
Concordo, entretanto, com a posição de que a publicidade não deve ser o único meio de suporte financeiro, mas não porque a publicidade faliu, não concordo com a afirmativa, mas porque é necessário maximizar o faturamento até mesmo para que possa haver investimento, a questão é como cobrar por algo que costumeiramente é gratuito. Micropagamentos para serviços adicioais, talvez, não sei…
O texto que você analisou, Wagner, diz respeito aos grandes veículos. Mas, de fato, se a relação com a publicidade muda para eles, muda, de certo modo, também para os pequenos, os mais pulverizados, como blogs e outras mídias sociais que, pelo menos, ganham em precisão de público. Permitem um trabalho mais cirúrgico do público que se quer atingir. Porém, se eu fosse fazer uma aposta para o futuro, falaria em uma publicidade mais orgânica – talvez nem se chame de publicidade. Em uma parte do seu texto alguém fala de serviços. Creio que a publicidade vai se transformar em um serviço (um serviço de fato, não uma tentativa de oferecer um produto) e o veículo (seja um grande veículo ou um blog) permitirá a presença desse serviço em suas páginas (serão páginas no futuro? será uma internet? não teremos a convergência de coisas como TV, internet, imprensa?) se calhar, de alguma forma, esse serviço fazer parte de conteúdo. Digamos que, se no que diz respeito a meios de comunicação e publicidade hoje vivemos algo como o comensalismo, do inquilinismo, estaríamos caminhando para algo mais próximo da simbiose (ver: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_ecol%C3%B3gicas).
Abraços do Alessandro.
Caro Wagner, escreverei pouco senão meu comentário virará uma dissertação, ok.?
De uma forma muito simples, não vejo esse negócio de mídias sociais como um bicho de sete cabeças e nem como a última coca-cola do deserto para ser tratado com tanto mimo. Falo isso porque tem muito blogueiro se achando príncipe da Internet e se mostra um lorde na frente de todos, afirmando que não se “vende”, mas quando a fome aperta a vergonha afrouxa! E o pior, fazem conteúdo em um escambo de favores ou de “presentes”, dando aos anunciantes uma falsa percepção de mercado.
Sinceramente, não acho os banners atraentes, mas acredito que tem muita agência, que por trás das suas declarações de não publicar conteúdo pago está, na verdade, barateando custos e os blogueiros estão caindo como patos. Ficam animados com idéias inovadoras, que de inovação só tem o método de conseguir publicação sem pagamento. Azar dos “mochileiros” – blogueiros que postam por mochila, panetone ou caixa de coca-cola! Então fica um monte de freiras no puteiro.
Para mim, blog não é jornal e nem blogueiro é jornalista que trabalha para um, a não ser que seja. Acontece que o jornalista não precisa receber, se estiver empregado, para fazer uma análise de algum produto ou serviço, ele já recebe o salário por parte do veículo, que só o faz porque recebe dinheiro da comercialização ou da publicidade. Percebe a hipocrisia?
Existem mais modelos de negócio do que banners e publieditoriais, basta um pouco de profissionalismo e boa vontade para enxergar. Mas será que todos querem isso?
Abraço do Urso
Eu acho que ao analisar isso, não se deve confundir empreendimento e empreendedor.
Para os blogs em si, não vejo outra fonte de receita que possa ser buscada tão universalmente quanto a publicidade, hoje. Em alguns casos, o negócio do autor não é o blog, e sim algum produto ou serviço, aí o blog serve para potencializar este outro negócio – mas nos demais casos comuns, me parece que ainda há muito leite a tirar do modelo baseado em publicidade, embora talvez o tempo de oba-oba já tenha passado, e agora as oportunidades e os valores estejam se consolidando, como não poderia deixar de acontecer.
Já para os empreendedores por trás dos blogs, a coisa é diferente. Você usou a expressão “apostar todas as fichas”, e acho que esta deve ser uma preocupação real para eles – se estiverem buscando construir uma carreira, creio que devem considerar que possivelmente não há espaço no Brasil para um número muito grande de pessoas que aposte todas as suas fichas em viver de blogs mantidos por publicidade.
De uma forma ou de outra, oferta e demanda se equilibram, e as oportunidades de sustentação a longo prazo para quem agrega pouco valor são escassas. Já quem agrega valor pode avaliar melhor suas opções, mas eu acredito que diversificar é a chave: o grande erro no momento não seria investir no modelo baseado em publicidade, e sim o empreendedor apostar todas as suas fichas em uma carreira baseada nisso.
Wagner, ainda não acho que o modelo de publicidade na web está falido. Pode estar desgastado, mas ainda não falido. Porém, é preciso buscar alternativas tanto para aperfeiçoar o modelo que aí está quanto criar novos modelos.
Trazendo para nosso universo de blogs, tenho 3 opiniões: 1) Não acredito que o anunciante nem o blogueiro tenham grande retorno apenas com o publieditorial; Porém acredito que um viral bem-feito dê mais retorno que anúncio em mídia tradicional; 2) O modelo de venda de banner em blogs é muito fraco e subaproveitado, comparado ao de portais; 3) Enquanto os blogueiros não se unirem para negociar publicidade em conjunto, vão sempre se contentar com pouco. Isso foi praticamente o que um dos diretores de portais falou em um debate na CampusBlog.
Hoje cobrar por conteúdo é suicídio. As pessoas não querem pagar por algo que elas podem ter gratuitamente em outro lugar. Principalmente no Brasil, onde as pessoas rejeitam a ideia de gastar dinheiro com música, filmes, jornais ou o que quer que seja.
Onde vejo que se poderia investir é em um conteúdo à parte que seja exclusivo e que tivesse um grande apelo. Outra forma de lucrar com o blog é vender produtos que sejam associadas à marca, como uma NerdStore, por exemplo. Mas para isso, é preciso ter uma marca forte e que tenha uma comunidade em volta. E isso ainda é para poucos.
Aos poucos vamos descobrindo novos modelos, é usar a criatividade.
Um abraço, meu amigo!
[...] Outras duas visões da publicidade foi tema de textos que li hoje: A falência da publicidade como modelo único de negócio na web e Publicidade se rende ao mundo digital. var addthis_pub = ’samegui’; var [...]
Gostei muito do comentário do colega Augusto. Como publicidade, o Dinheirama é quase um fracasso – e isso não me preocupa. O Google Adsense, o programa de afiliados e algumas ações publicitárias (essencialmente banners) servem para pagar todos os custos do blog e para investimento em infra, brindes e material de divulgação offline. E por isso a publicidade online vai continuar por lá.
Já como vitrine e meio de fomentar oportunidades de cursos, palestras e produtos (cartilhas, artigos para pequenos jornais, artigos para grandes instituições e etc.) ele funciona muito bem. E rende bem. Optei por este modelo porque nunca acreditei na publicidade online. E continuo sem acreditar. Prefiro a idéia de usar a internet como meio de contato para fechar bons negócios, não como modo único de sustentação – a não ser que se pense em comércio eletrônico. Mas, claro, eu tenho poucas visitas, não sou parâmetro, nem modelo.
Enfim, eu não clico em banners, não clico em anúncios Google e tal. Não é sacanagem, mas simplesmente não me sinto atraído ou tentado a fazê-lo. Mas ao ver um site bem feito ou um blog com conteúdo, imediatamente trato de enviar uma mensagem ao seu criador, procurando conhecê-lo e tentando alavancar alguma oportunidade conjunta. Quando penso em web, penso em oportunidades neste sentido. Com isso, fica claro que não entendo de modelo de negócios para publicidade online. Vou acompanhar atentamente este tópico para ver se aprendo alguma coisa.
Abraços.
Gostaria de deixar a minha opinião como um blogueiro que vive exclusivamente de publicidade em meus blogs desde o final do ano passado. Em primeiro lugar, eu acho esta discussão muito importante, e muito mais frutífera do que os ataques sem sentido que fazem aos que buscam ganhar dinheiro honestamente com seus blogs.
Eu concordo com o Wagner no ponto de que existem muitos caminhos e possibilidades para ganhar dinheiro na Internet, mas cobrar pelo conteúdo não é uma delas. Eu não acredito que o leitor de blog aceite pagar uma assinatura para acompanhar seus sites favoritos, por melhores e mais relevantes que eles sejam.
Como a Cynara disse acima, acho que uma ótima forma de ganhar dinheiro online e fortalecer a sua marca é criar uma loja para vender os produtos que você mostra em seu site ou blog. Para mim este tipo de sinergia é o melhor caminho para ganhar dinheiro com o seu conteúdo.
Quanto a questão da influência de anunciantes no conteúdo, não acho que isto se aplique aos blogs de qualidade. Existem muitos blogueiros que exibem propagandas em seus sites, sem que isto altere uma vírgula sequer na linha editorial dos textos.
O mesmo posso dizer sobre o tão mal falado post publicitário. Eu acredito que ele nada mais é do que uma versão online do nosso velho conhecido informe publicitário, que sempre vemos em jornais e revistas. Não acho que ele tire a credibilidade do blog, desde que ele seja escrito de forma sincera e com a devida identificação, pelo menos na minha humilde opinião.
Afinal de contas, quando um jornalista viaja a convite de uma empresa para cobrir um evento, isto não influi (ou pelo menos não deveria influir) na opinião dele a respeito do produto ou serviço.
Grande abraço, Wagner!
Wagner,
Excelente texto. A minha opinião é que no Brasil tentamos nos basear no mercado americano. O texto em que você se baseou está norteado no mercado americano. O fato é que o mercado brasileiro tem um alcance de público muito menor do que o americano, portanto não existe tanta demanda, e portanto ainda não consegue sustentar muitos players.
Especificamente sobre o mercado brasileiro, eu acredito que pouquissimos blogs consigam sobreviver somente de “publicidade”, em qualquer modalidade. Esta é a realidade. Esbarramos em vários problemas que o Brasil tem, desde a dificuldade em formar uma empresa, até a dificuldade em achar pessoas qualificadas para criar conteúdo (por um valor razoável). Os dois modelos (nos EUA) que eu cito são o TechCrunch e o GigaOm. São realmente empresas, com acordos de licenciamento de conteúdo para mídia tradicional, por exemplo. Note que mesmo ELES diversificam suas fontes de renda. No Brasil esta necessidade é ainda mais acentuada.
grande abraço e excelente post.
Leo
Excelente tópico de discussão Wagner. E parte de minha opinião, embora se assemelhe com a levantada pelo Augusto e pelo Leonardo, visa focar no ponto em que diz respeito à própria publicidade. Sim, aquela tradicional em seu sentido e função. A propaganda sempre foi questionada, até mesmo quando relevante e de encontro direto ao nicho ao qual se destina.
O modelo que se viu empregado na TV, nas revistas e jornais e nas rádios, também passou pela mesma turbulência da qual a convencionalmente chamada de mídia social, enfrenta na atualidade. Mas quando meia dúzia de publicitários, lá em meados dos anos 50, investiu e insistiu nisso, criando acordos e traçando ordens em específico, a publicidade se fez mais que necessária. Nasceram ali os primeiros milionários e magnatas do ramo.
Não que eu queira “cagar” regras, mas os blogs precisarão de algo similar a um acordo. Na verdade, antes de tudo, têm de se tornar profissionais do ponto de vista do conteúdo. Fazer um blog para ganhar dinheiro é fácil, o difícil fica por conta do compromisso.
Não se pode cobrar por conteúdo oferecido, mas com um pouco de empenho e bons contatos, oportunidades (que envolvem o “famigerado” capital), não vão faltar.
Era isso.
Grande abraço e parabéns pela iniciativa.
Wagner, vc escreveu exatamente o que eu penso sobre alguns blogs, principalmente os que escrevem Hypes. Os blogs criados depois do BOOOOM! dos blogs passaram a escrever para o Google, pra seu anunciante.. ao invés de conteúdo explicado e relevante para o leitor.
Nos Estados Unidos os Jornais já entenderam que esse modelo não se sustenta por muito tempo, mais cedo ou mais tarde, o Brasil vai sentir o mesmo.
abs
Todas essas discussões sempre aparecem em momentos de crise. Precisamos saber se o internauta está diposto a voltar a pagar para ter acesso a conteúdo. Acho que, para variar, chegaremos ao bom modelo híbrido.
Wagner,
muito oportuno o seu post, mas acredito que a questão é ainda maior. A publicidade na web não está em crise. Pelo contrário, ela até que vive bons tempos. O problema real é que ela nunca foi viável e hoje em dia se torna ainda menos viável.
Publicidade em geral, aliás, é uma “indústria” baseada na escassez de informação e no uso de uma retórica covarde para reforçar valores retrógrados. A propaganda de massa, por exemplo, é conformista, machista, elitista, egoísta e tantos outros “istas” quantos você puder imaginar. A web, todos nós sabemos, busca o sentido contrário. Não pode dar certo.
Mas o incômodo é, na verdade, uma excelente notícia: qualquer consumidor com um nível de instrução levemente acima do medíocre e um acesso à informação levemente acima do soviético não leva a propaganda a sério. Não a leva em consideração para tomar decisões. Não dá a menor importância para o que vê em uma página dupla ou em um comercial de 30″ (se é que ainda vê essas coisas). Vai chegar a hora em que os anunciantes perceberão que os investimentos em propaganda não trazem retorno algum – a não ser para os donos das agências – e terão que mudar seus produtos e sua forma de comunicação.
Publicidade é uma árvore morta. Como é muito grande, ainda vai demorar para cair. Mas cairá. Já há sinais dela. Google, por exemplo, é um bureau de mídia que atua abaixo do radar e subverte a relação. As empresas de métricas e usabilidade fazem o mesmo. Com inteligência e informação, elas formarão o novo modelo comercial da comunicação.
Enquanto ele não chega, os novos veículos devem se preocupar com a relevância de seu conteúdo. E reler “a revolução dos bichos” para não cometer os mesmos erros de quem hoje criticam.
Wagner, eu vi uma entrevista do Walter no programa do Stephen Colbert, e ele insistiu também no modelo pago. Eu acho isso uma grande demonstração de falta de conhecimento da Web.
Colbert foi o primeiro a explicar que o valor agregado de uma música no iTunes é MUITO maior do que um post de blog ou notícia em site de jornal.
Isso começa em um efeito psicológico que independe de preço. Podemos cobrar R$0,02 por visualização de um artigo, na cabeça do leitor é inaceitável. Vender bens intangíveis é muito complicado. A “experiência” é curta demais para justificar ser paga. (por isso o Morróida tem cortesia no Bahamas, aliás)
Um modelo pode funcionar muito bem no mundo offline, mas é inviável no mundo online. Exemplo: Imagine blogs editorializando comentários. No dia que alguém editar um comentário em nome da concisão e precisão do texto, babau.
Eu não acho que jornais e revistas viverem de assinatura e venda em banca signifique algo para o modelo online. Na verdade como consumidor acho um abuso ter uma Veja custando R$11,00, vindo com mais de 50% das páginas de publicidade e cada página custar mais de R$100 mil.
Longe de mim defender o “tudo é de graça”, claro. Alguém tem que pagar a conta, e esse alguém costuma ser o anunciante.
O modelo de banner está falido, é fato. O Luli gosta de dizer que ninguém clica em banners desde 1978. Eu diria 1975. A relação clique/exposições de um banner fazem mala-direta parecer uma mídia eficiente.
O erro foi tentar manter na mídia online os mesmos formatos de publicidade da mídia tradicional. Não inventamos nada que não pudesse ser encontrado em uma revista Manchete de 1982, com Xuxa e Luiza Brunet na capa.
Eu não entendo o publieditorial como nada mais que um extra, algo para complementar o orçamento. Mesmo que o modelo vingue, um blog que baseia sua renda em publieditorial está fadado a perder todos os leitores, ou ao menos os mais significativos.
Blogs dependem de conteúdo, de pauta. Uma puta ação de guerrilha, viral, etc é conteúdo garantido. É o tipo de coisa que blogs publicam de graça. Como fica um blog focado em publieditoriais? Não vai publicar? Para onde vai a qualidade do conteúdo?
O modelo do Google, de leilão está se mostrando suicida. Muita gente, eu inclusive está se afastando, dados os resultados pífios. Os anunciantes descobriram que se ninguém pagar nada o espaço sai quase de graça.
Para o blogs eu vejo várias saídas, como o patrocínio direto (quem não ouviu falar do Repórter Esso?), lojas online e até o syndication de conteúdo. Para o mercado em si, eu acho que a publicidade será mais pervasiva e mais sutil.
Enquanto discutem ética dos anjos nos blogs, até a roupa dos apresentadores de TV é patrocinada. Uma camiseta com a logo do Lanterna Verde vende 100x mais depois que aparece vestida pelo Sheldon, de Big Bang Theory. Associe a isso um link, e você tem a ferramenta de publicidade mais poderosa do planeta. O YouTube já permite isso, o Videolog em breve também.
Quando um programa de TV puder vender centenas de milhares de unidades de um produto, na hora, com mecanismos de auferição, métricas, etc, atingindo seu público-alvo com dispersão quase zero, disponibilizar esse programa online para todo mundo será questão de honra.
Artigo muito bom esse, ajuda aos blogueiros iniciantes entenderem os que está ocorrendo.
Descobri o seu blog agora e queria dizer que você está de parabéns!!!
Li no Chá Quente (http://chaquente.com) que uma pesquisa recente mostra que mesmo lá fora a publicidade em blogs não é lá grande coisa e o quanto ainda falta um modelo de negócios viável e consolidado. Acho que muito auê surgiu com a explosão da Web 2.0 e por aqui isso aconteceu muito com o Google Adsense. E esse hype todo fez muita gente acreditar em algo que ainda não está completamente compreendido e estabelecido. É curioso que tudo na Internet pode ser mensurado, mas as pessoas continuam buscando a mesma matemática velha. Todo mundo vai pra Internet querendo ações rápidas, de milhões de clicks, tentando dividir o investimento por “cabeças” atingidas. Mas estamos experimentando um universo novo, onde tudo é gratuito. Onde sempre há duas ou mais versões da mesma coisa. Onde todo mundo se reune em nichos e a troca é uma moeda importante. Onde conteúdo, algo tão intangível e subjetivo, determina o “câmbio”, bem como o “valor” das pessoas e das ferramentas. Então acredito que todos nós tenhamos que rever modelos de negócios, redimensionar fórmulas matemáticas e repensar expectativas. Definitivamente nada mais funcionará como antes. Publicidade de fato não funciona há muito tempo. Quisera eu encontrar um guru que pudesse afirmar como tudo será daqui pra frente.
Bem, IMHO, o que muita gente esquece é que empresas em geral estão mais do que escaldadas com relação a Internet como o oásis no meio do deserto. Vejo muita gente achando que vai largar o emprego e virar blogueiro e começar a ganhar rios de dinheiro da noite pro dia, seja com post pago ou com adsense. O que eles esquecem é que sendo blogueiros ou não, estes salsinhas (com a permissão do Cardoso pelo uso do termo) da blogosfera estão sujeitos as mesmas sanções econômicas que qualquer empresa seja ela real ou virtual sofre diariamente. Tudo gira em torno da oferta e da demanda. Seja o Mercado Cambial, seja o Mercado Monetário, seja o Mercado da esquina, essa relação entre o que está disponível e o que os consumidores querem é imutável. Qualquer um que tenha estudado um pouco de economia sabe disso. Em escala nacional, quantas publicações de grande porte temos para veicular mídia, independente do segmento? A veja é a quarta revista mais lida do mundo e mesmo assim basta alguém citar qualquer artigo que tenha lido nela que chega um cabeçóide e taxa a revista de paga pau da globo, etc e tal. E onde isso atinge os blogueiros? Oras, se as agências ou mesmo as empresas querem anunciar na Internet, seja com posts patrocinados ou com banner, ou com gif animado, ou com adsense, ela vai pesquisar por 5 minutos e o que vai encontrar? 300 milhões de blogs sobre o mesmo tema, seja lá qual for o tema procurado. E como é que eles vão saber qual blogueiro tem respaldo, é idôneo e não está dando CTRL-C + CTRL-V no texto dos outros? Vendo quantos assinantes de Feed ele tem? Creio ser praticamente impossível criar um modelo eficiente, tendo em vista que por trás desse modelo sempre irá existir os interesses comerciais de muita gente. A questão é clássica e sabemos que se alguém ganhou 1 real em algum lugar, outro alguém perdeu 1 real talvez não muito longe dali. E no meio de uma crise dessas, difícil achar quem queira ser o que perdeu 1 real. Se eu quisesse viver exclusivamente escrevendo no meu blog, iria estudar jornalismo, montar um escritório com um nome cheio de letras e números e me especializar em algum assunto pra quem sabe uns anos depois começar a ganhar um troco com isso.
Concordo com o Cardoso com relação ao uso de rentabilidade em banners. Pelo menos ao meu ver esta não tem sido uma saída feliz. A divulgação do conteúdo de forma bem criteriosa pesa mais aos leitores do que a imagem em si. Pelo menos deveria. Parabéns pelo texto.
Eventualmente, o mercado brasileiro vai evoluir a ponto de alguns poucos probloggers fecharem acordos de lincenciamento de conteúdo com a mídia tradicional.
Quem sabe blogs menores poderiam se unir para negociar acordos coletivos?
Se bem que, as mídias tradicionais não passam pelo mesmo problema?
Ok, concordamos que a publicidade como existe hj está no fim. Esse modelo de vender produtos diretamente relacionados ao conteúdo, que o Cardoso citou, é uma boa, mas não resolve. Se o modelo de leilão do Google está ultrapassado, qual será o próximo?
Todo mundo reclama, mas poucos se preocupam em pensar como poderia ser diferente. Como vamos criar o nosso “WhoofieSense”? Em que fóruns isto está sendo discutido? Ou será que tudo que podemos fazer é cruzar os braços e esperar o dia em que o Grande Irmão vai resolver mudar as regras?
[...] A falência da publicidade… – … como modelo único de negócio na web [...]
[...] – O que são? – Brogui A falência da publicidade como modelo único de negócio na web – Boombust As melhores opções de HD Wallpaper – Dormiu! Bloguevista – Entrevistas com quem é [...]
[...] Leia Mais: A falência da publicidade como modelo único de negócio na web [...]
Acho que existe um grande ansiedade por parte dos blogueiros em ficar tentando descobrir como será o modelo de publicidade mais lucrativo. A publicidade online ainda está na pré-história e, antes de definir como será, terá que testar vários formatos. Especular sobre a sua falência da publicidade online soa catastrófico, ainda não é a hora.
Talvez esperar o mundo real ir derretendo, esperar para ver como ficarão os novos modelos e enquanto isso ir tocando o blogue, com as ferramentas disponíveis atualmente e aceitar a evolução do modelo de publicidade.
Se não der para viver disso ou ficar rico, quem sabe os netos?
Há um ano niguém imaginava a GM quebrando, talvez daqui há 10 anos, ninguém se lembre do que era a GM.
O mundo gira.
E derrete também.
[...] A falência da publicidade como modelo único de negócio na web – Boombust [...]
E mais uma vez Bob Garfield tem toda a razão do mundo. Estou com ele.
Ao meu ver, a publicidade na internet só tende ao crescimento. A considerar que o e-commerce brasileiro cresce a taxas que variam entre os 30 e 50% anuais, a mídia on-line está longe do fracasso.
Porém, é preciso usar as mesmas leis de antigamente: Posicionamento, Segmentação, Criatividade.
Os que fazem parte das empresas pure-players de e-commerce (lojas que são apenas “virtuais”), são quase que necessáriamente dependentes da mídia on-line, sejam elas em blogs, portais ou sistemas de buscas. Se já é difícil atrair um consumidor para comprar, imagine atrair um consumidor do meio off-line para o on-line.
Acredito que, da mesma maneira que a publicidade off-line passou por constantes revoluções ao longo da sua existência, a mesma on-line também terá seus momentos de renovação.
Por certo que a discussão é rica e pertinente.
abraços,
Adauto
Dizer que a publicidade vai acabar é besteira, IMHO. Sempre existiram empresas querendo divulgar seus produtos e serviços. Mídias sociais, virais e demais variações não são a solução de todos os problemas.
Falar mal da publicidade quando esta está passando por uma crise é como chutar boxeador caído. Quando a publicidade online estava em alta, após a recuperação das DotCom, todo mundo falava maravilhas.
Devemos aprender a enxergar o momento e tirar dele o que ele tem de melhor. Ontem foi publicidade online. Hoje podem ser as mídias sociais. Amanhã pode ser publicidade online novamente. Ou qualquer outra coisa que inventarem. Lembrem-se que o Google emergiu no meio da crise das DotCom usando justamente aquilo que estava em baixa, a publicidade online.
A vida vem em ondas, meus caros. O mercado também. Ganha quem surfar a melhor onda. A marola de hoje é a onda grande de amanhã. Ou então aparece logo um Tsunami para saculejar geral o status quo.
Assino embaixo do Fábio.
Mas há um erro lógico no texto. Propõe-se analisar o reposicionamento da publicidade online como modelo de negócio, tendo como produto algo que perdeu seu valor econômico, o conteúdo. O que rege este comportamento é a lei de mercado mais antiga que há, de oferta e demanda. Mas não tenho dúvida: a publicidade encontrará o seu caminho.
[...] comentários (não deixe de ler os comentários) de ilustres ícones das midias sociais no Brasil. A falência da publicidade como modelo de negócio único na web; acho que meu melhor post neste blog. [...]
[...] A falência da publicidade como modelo único de negócio na web – Boombust [...]